Glaucoma
“Por ser uma mal silencioso, o exame oftalmológico regular é muito importante”, alerta Luiz Carlos Molinari Gomes, Presidente do Departamento de Oftalmologia da Associação Médica de Minas Gerais. “Detectado precocemente e com acompanhamento médico adequado, muitos portadores do glaucoma poderiam chegar até o fim da vida sem perder a visão”, afirma. Apesar de ser um procedimento simples e indolor, muitas pessoas não chegam ao diagnóstico da doença pôr não fazerem o exame oftalmológico de forma adequada. Nesse exame, mais do que observar deficiências na capacidade de enxergar, é preciso medir a pressão intra-ocular e examinar o nervo óptico.
Garantir com que toda população possa fazer esse exame é uma das maiores preocupações dos especialistas. No último mês, durante a realização do 2° Consenso Brasileiro de glaucoma, foi elaborada uma espécie de guia de orientação para oftalmologista, com conteúdo sobre diagnóstico e tratamento da doença.
DESAFIO - Como o glaucoma se desenvolve sem provocar sintomas, o principal desafio é diagnosticá-lo antes que comprometa a integridade da visão do paciente. Se o problema não for tratado, a evolução acontece como se a pessoa passasse a enxergar pôr um tubo cada vez mais estreito. “Uma vez perdida, a visão não é recuperada.”
Se for diagnosticado na fase inicial, pode-se controlar a pressão do olho e impedir o surgimento de lesões que afetem a visão. Tratamentos medicamentosos ou apenas o uso diário de um colírio podem ser suficientes. Também existe a opção da intervenção cirúrgica. O procedimento com laser, pôr exemplo, procura tratar o canal de drenagem do olho, fazendo diminuir o volume do líquido intra-ocular e, consequentemente, da pressão. Quando a cirurgia é bem sucedida, costuma-se dispensar até o uso de colírios.
Outra opção é a cirurgia pôr filtragem, realizada quando os medicamentos e o laser não controlam a pressão intra-ocular. Com essa cirurgia, cria-se um novo canal que permite que o humor aquoso seja drenado do olho.
O QUE É - doença causada pelo aumento da pressão dentro do olho. Atinge principalmente pessoas com idade acima de 40 anos. Normalmente, não tem sintomas e, quando a pessoa percebe a visão diminuída ou dor ocular, a doença já está avançada e pode levar à cegueira. Diabéticos ou pessoas com histórico familiar têm mais risco de desenvolver glaucoma. Pôr se tratar de uma doença incurável, existe grande preocupação com a fidelidade do paciente no tratamento, para o controle adequado.
NÚMEROS - cerca de 60% de todos os casos de cegueira são considerados evitáveis. No Brasil, o glaucoma é a segunda causa dessa cegueira. Segundo a Sociedade Nacional de Prevenção da Cegueira dos Estados Unidos, uma em cada 40 pessoas com mais de 35 anos, e três em cada 100 pessoas com mais de 65 anos têm glaucoma.
CAUSAS - O problema é causado pôr um acúmulo de líquido (humor aquoso) no interior do olho. O acúmulo é decorrente do aumento da formação do líquido ou pela obstrução do conduto pôr onde ele sai do olho. Isso faz com que a pressão aumente progressivamente, levando a uma degeneração do nervo óptico.
DIAGNÓSTICO - Durante o exame ocular, o oftalmologista faz a tanometria, procedimento que mede a pressão intra-ocular. A fundoscopia é usada para examinar a forma e a cor do nervo óptico. Se este apresentar forma escavada ou se não tiver uma coloração rósea, outros testes, como a campimetria e a gonioscopia, são indicados e podem auxiliar o médico na escolha do tratamento mais adequado.
TRATAMENTO - quando descoberto precocemente, os tratamentos são bastante eficazes. Na maioria dos casos, apenas o uso do colírio é capaz de controlar a doença, impedindo sua evolução para a cegueira. Em parte dos casos, apenas o uso do colírio é capaz de controlar a doença, impedindo sua evolução para a cegueira. Em parte dos casos, indica-se o uso de laser, podendo ser necessária pôr bolsa filtrante (trabeculectomia)
Vanessa Jacinto - Autora
Extraído do Jornal Estado de Minas, de 22/05/05