Ministério da Saúde alerta para diagnóstico precoce de hanseníase
Como parte das ações que marcaram o Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase (21/01), o Ministério da Saúde lançou ontem campanha publicitária para conscientização da população sobre a doença. Com o mote, “Hanseníase: quanto antes você descobrir, mais cedo vai se curar”, a ação tem como foco o diagnóstico precoce da doença e a divulgação do tratamento que é ofertado de graça no Sistema Único de Saúde (SUS).
Dados preliminares de 2014 indicam que a taxa de detecção da doença no país foi de 12,14 para cada 100 mil habitantes, o que corresponde a 24.612 novos casos no Brasil. Na população menor de 15 anos, foram identificados 1.793 novos casos. A medição, neste caso, é considerada estratégica porque uma criança doente sinaliza que há um adulto não tratado transmitindo hanseníase.
Na última década, a taxa de prevalência de hanseníase caiu 68%. A queda é resultado das ações voltadas para a eliminação da doença, intensificada nos últimos anos. Assim, em 2015 o Ministério da Saúde decidiu manter a estratégia utilizada em 2013 e em 2014 de busca ativa de casos de hanseníase nas escolas. A previsão é que as ações comecem em agosto em instituições de ensino fundamental da rede pública de municípios considerados endêmicos ou com indicadores sociais que tornem a região mais vulnerável.
DETECÇÃO E TRATAMENTO
A hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa, cujo principal agente etiológico é o Mycobacterium leaprae. A doença é transmitida de uma pessoa doente que não esteja em tratamento para uma pessoa saudável suscetível. A hanseníase tem cura, mas pode causar incapacidades físicas se o diagnóstico for tardio ou o tratamento não for realizado adequadamente, pelo período preconizado, já que atinge pele e nervos.
O Ministério da Saúde recomenda que as pessoas procurem o serviço de saúde ao aparecimento de manchas, de qualquer cor, em qualquer parte do corpo, principalmente se essa mancha apresentar diminuição de sensibilidade ao calor e ao toque. Após iniciado o tratamento a pessoa para de transmitir a doença quase que imediatamente.
Além do diagnóstico, o SUS oferece tratamento para hanseníase, disponível em todas as unidades públicas de saúde. A poliquimioterapia (PQT), uma associação de medicamentos que evita a resistência do bacilo deve ser administrado por seis meses ou um ano a depender do caso. Os pacientes deverão ser submetidos, além do exame dermatológico, a uma avaliação neurológica simplificada e sempre receber alta por cura. Nos últimos dez anos, a taxa de cura da doença no país aumentou 21,2%. Em 2003, 69,3% das pessoas que faziam tratamento para hanseníase se curaram. Já em 2014, esse número saltou para 84%.