Torcicologo pode levar à ausência no trabalho ou incapacidade
Você já teve torcicolo e ficou se movendo como um robô?
Embora a dor nos ombros e no pescoço (ou torcicolo) sejam queixas frequentes nos consultórios médicos, existem poucos estudos confiáveis determinando sua incidência. Acredita-se que varie em torno de 10% a 15% da população, podendo resultar em grande número de consultas médicas, absenteísmo e incapacidade. As mulheres são mais afetadas, estatísticas que crescem com o aumento da idade.
Segundo o ortopedista Jefferson Soares Leal, coordenador do Ambulatório de Coluna Vertebral do Hospital das Clínicas da UFMG e membro da North American Spine Society, no caso das crianças e adolescentes, mochilas muito pesadas e carregadas de forma inadequada, além da posição incorreta nas carteiras escolares e problemas psicológicos, são possíveis fatores desencadeantes da dor. “É vital que os pais e professores estejam conscientes da responsabilidade em procurar orientação profissional adequada para a realização dessas atividades. Ao desenvolver dores nessa idade, aumenta-se o risco da criança vir a desenvolver quadros de dor futuramente.”
Jefferson Leal explica que a coluna vertebral é freqüentemente alvo das manifestações psicossomáticas. Pessoas em crises de ordem emocional (ansiedade, estresse ou depressão) podem apresentar sintomas na coluna vertebral, mesmo na ausência de doenças ocas. “O processo exato não é ainda conhecido, mas outros órgãos também podem ser afetados com outros sintomas desencadeados pelo mesmo mecanismo (gastrite, acne, r articular).”
Entre os maiores erros apontados pelo ortopedista está a automedicação. “O mais adequado é procurar orientação médica para um correto diagnóstico da dor e suas causas”, determina. “Uma vez comprovada a origem cervical da dor, o médico deve avaliar a necessidade de tratamento através de medicação e fisioterapia. Na fisioterapia, o paciente vai se beneficiar de técnicas analgésicas e antiinflamatórias, além de relaxar possíveis espasmos tensões musculares, por meio de teria manual e exercícios para fortalecer e condicionar a musculatura”. Outro erro é o repouso absoluto. Com tempo, a falta de atividade física prejudica a estabilidade da coluna, porque os músculos e outras estruturas perdem a sua tonicidade. “Se a crise for forte, o ideal é que pessoa seja estimulada a caminhar, após um ou dois dias de repouso”, ressalta. Bolsa de água quente, desde que a pessoa esteja deitada de barriga para cima em local confortável, e massagens podem ser feitas, desde que esta última não utilize movimentos intempestivos.
Entre as formas de manter a coluna saudável, o importante é Ter bons hábitos, como postura adequada ao deitar ou ao trabalhar, atividades físicas regulares e evitar estresse, equilibrando trabalho, lazer e família.
Ao permanecer assentado por longo período diante de uma mesa de trabalho, a escolha da cadeira de extrema importância. “A cadeira preferencialmente deve ser giratória e de rodinhas para evitar a torção freqüente e desnecessária do pescoço. Deve ter apoio para os braços para não sobrecarregar a musculatura do ombro e do pescoço e o encosto deve ser ajustado à curva lombar." O posicionamento da tela do computador deve permitir que a cabeça fique ligeiramente inclinada para baixo, em torno de 10 a 15 graus, posição de maior descanso da coluna cervical. Pausas regulares para descanso e alongamentos intercalados ajudam no relaxamento e na prevenção da dor muscular.
O médico recomenda que o colchão não seja nem mole nem duro. “Ele deve afundar o suficiente para ajustar as curvas fisiológicas da coluna, evitando que ela fique excessivamente curvada ou com pontos demasiadamente pressionados.”
DEFINIÇÃO
Dor na região cervical (pescoço), acompanhada de espasmo muscular que se instala com rapidez, às vezes bruscamente, dura poucos dias e desaparece totalmente. Pode ser também chamada de cervicalgia aguda (dor cervical aguda).
COMO OCORRE
A contratura ou espasmo muscular conhecido popularmente como “enrijecimento dos músculos” nada mais é do que uma defesa natural do organismo contra um estímulo nocivo. Se ocorre uma lesão na coluna cervical, um mecanismo – reflexo é acionado, o que resulta no espasmo muscular. O músculo torna-se tenso, impedindo o movimento sobre a estrutura lesada, o que evita o agravamento do dano. A dor cervical se estende para a região dos ombros. O principal músculo acometido é o trapézio.
CAUSAS
- Tabagismo
- Insatisfação pessoal ou profissional
- Realização de trabalho pesado
- Estresse
- Sedentarismo
- Quedas
- Tumores
- Infecções
- Doenças da coluna ( desgaste natural dos discos e das articulações da coluna)
- Acidentes de trabalho
- Acidentes automobilísticos
- Aumento da idade
- Postura inadequada
CONSEQUÊNCIAS
Nos casos crônicos:
- Fadiga
- Dor neuropática
- Depressão
- Distúrbios do equilíbrio
- Vertigem
Nos casos agudos:
- Cefaléia (dor de cabeça tensional)
- Irradiação da dor para braço, cabeça ou para a região dorsal entre os ombros
- Dor nas costas entre os ombros
- Pinçamento de um nervo na coluna cervical
TRATAMENTO
O mais adequado é procurar orientação médica para um correto diagnóstico da dor e suas causas. A dor no pescoço e ombros pede se manifestar mascarando doenças, tais como sintomas precoces de angina e possível infarto do miocárdio, câncer da região apical do pulmão, infecções no ouvido etc. Portanto, o erro mais grave é a automedicação e/ou autotratamento. Uma vez comprovada a origem cervical dos mesmos, o médico deve avaliar a necessidade de tratamento através de medicação e fisioterapia.
Autora: Ellen Cristie Extraído do Jornal Estado de Minas de 12Jun05